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Editorial PRÓ NASCER News - Ano 2 / Nº 1 - 1º Semestre 2014

 
  Injúria endometrial: um panorama sobre o tratamento.  
 
Pacientes com falha de implantação recorrente vêm sido submetidas a esse novo procedimento que, apesar de aparentar ser ilógico, tem surpreendido a todos com excelentes resultados. Saiba mais.
Carine de Lima e Dr. João Ricardo Pessoa Auler

   Uma série de eventos sucede-se durante o desenvolvimento da gravidez desde o momento em que o embrião fertilizado chega ao útero. Dentre esses eventos, um dos mais importantes é a implantação, a qual se sabe ser essencial para uma gestação bem-sucedida. A implantação é definida como um processo de diversos estágios que envolvem a aposição, adesão e invasão das células do embrião ao endométrio uterino em um período específico chamado “janela de implantação”, sendo o endométrio a camada que reveste a parte interna do útero e onde ocorre a implantação do embrião, tendo-se o início da gestação. Tais eventos acontecem em um endométrio receptivo estimulado com esteróides ovarianos (estrogênio e progesterona), de maneira a induzir a diferenciação das células do estroma endometrial para células da decídua, a qual provém o sítio anatômico para a implantação do embrião. Um dos aspectos mais importantes para a eficiência da implantação é justamente a receptividade endometrial, de maneira crucial para o desencadeamento de todas as diversas mudanças que ocorrem nesse ambiente de modo a permitir a progressão do desenvolvimento da gravidez.

   A receptividade do endométrio está vinculada a diversas mudanças morfológicas e moleculares no tecido e, curiosamente, tais alterações envolvem até mesmo a modulação da expressão gênica de fatores pró-inflamatórios. Dessa forma, viu-se que a implantação do embrião ao tecido endometrial estava relacionada a diversos processos inflamatórios, com estimulação de diferentes fatores que os caracterizam, tais como aumento de liberação de moléculas chamadas citocinas (sinalizadores da inflamação) e maior reprodução e recrutamento de células do sistema imunológico, tais como leucócitos deciduais e células natural killers específicas do útero.

   Dessa forma, essas informações foram interessantes à medicina da reprodução humana assistida, uma vez que muitas pacientes sofrem de falhas recorrentes de implantação (FRI).  A FRI é definida como a falha em atingir a gravidez após dois a seis ciclos de ICSI (injeção intracitoplasmática de esperma), o procedimento mais eficiente nos tratamentos de reprodução humana assistida, com a transferência de mais de dez embriões de boa qualidade. As causas mais comuns para a FRI incluem endometriose, fibróides uterinos, adenomiose, hidrossalpinge, síndrome do ovário policístico e pólipo endometrial. Além disso, discute-se também como um dos grandes motivos de tal problema encontrar-se na hiperestimulação ovariana induzida durante os tratamentos de fertilização in vitro. Apesar de necessária, a estimulação pode envolver uma aceleração da maturação do endométrio uterino de maneira a comprometer sua receptividade, levando então à falha da implantação.

   Assim, desenvolveu-se um tratamento interessante para quadros de FRI de forma a induzir um pequeno processo inflamatório no endométrio das pacientes através da execução de uma injúria endometrial. Tal procedimento consiste em simples raspagens e/ou aspirações de pequenas regiões do endométrio uterino no ciclo anterior ao da transferência, de maneira indolor e sem necessidade de anestesia, podendo ser feito através de histerioscopia, curetagem ou biópsia. Esse método tem como objetivo, através da indução de um pequeno processo inflamatório controlado, estimular condições normais de um ambiente uterino pelo aumento de sua receptividade, envolvendo os aspectos como a expressão de citocinas e aumento do número de células imunológicas no endométrio. Portanto, o tecido torna-se mais receptivo ao processo de implantação do embrião, aumentando assim suas taxas de eficácia.

   Apesar de ainda existirem diversos aspectos a serem elucidados e discutidos a respeito do procedimento da injúria endometrial, este é tido como um dos mais eficazes tratamentos para pacientes com falha recorrente de implantação embrionária, com diversas evidências de sua eficiência, segurança e mecanismos de ação. Atualmente, discute-se até mesmo a possibilidade de utilizar tal técnica de forma rotineira no tratamento em processos de reprodução humana assistida para aumentar as taxas de implantação embrionária. Com isso, o procedimento é cada vez mais executado e aceito de maneira ampla e com bons resultados, oferecendo uma boa perspectiva para o grupo médico e as pacientes.

   Para uma leitura mais aprofundada, acesse o link abaixo contendo a revisão sobre o assunto feita com base em alguns dos principais artigos científicos internacionais publicados nos últimos anos sobre a injúria endometrial.

 
     
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