Síndrome dos ovários policísticos não significa infertilidade

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A síndrome dos ovários policísticos, também conhecida como SOP, é uma das condições hormonais mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva. Mesmo assim, ainda existe muita confusão em torno do diagnóstico, especialmente quando o assunto é fertilidade. Muitas mulheres recebem a notícia de que têm SOP e imediatamente pensam que não poderão engravidar. Mas isso não é verdade.

A síndrome dos ovários policísticos pode dificultar a ovulação em alguns casos, o que pode tornar a gravidez mais demorada. Porém, ter SOP não significa ser infértil. Muitas mulheres com esse diagnóstico engravidam naturalmente. Outras precisam de acompanhamento, mudanças no estilo de vida, indução da ovulação ou tratamentos de reprodução assistida, dependendo do caso.

A Diretriz Internacional Baseada em Evidências para SOP, publicada em 2023, reúne recomendações para diagnóstico, avaliação e manejo da síndrome, destacando que o cuidado deve ser individualizado e considerar aspectos reprodutivos, metabólicos e emocionais.

O que é síndrome dos ovários policísticos?

A síndrome dos ovários policísticos é uma condição hormonal que pode envolver ciclos menstruais irregulares, sinais de aumento de hormônios androgênicos, como acne, oleosidade e aumento de pelos, além da presença de múltiplos folículos nos ovários ao ultrassom.

Apesar do nome, a SOP não significa exatamente que a mulher tem “cistos perigosos” nos ovários. Na maioria das vezes, o que se observa são pequenos folículos que não chegaram a completar o processo de ovulação. Por isso, o nome pode assustar mais do que deveria.

O diagnóstico não deve ser feito apenas por ultrassom. Muitas mulheres podem apresentar ovários com aspecto policístico sem preencher critérios para síndrome dos ovários policísticos. Por isso, a avaliação médica é essencial para diferenciar imagem, sintomas e alterações hormonais.

Como a SOP pode afetar a fertilidade?

A principal forma pela qual a SOP pode interferir na fertilidade é por meio da ovulação irregular. Para que uma gravidez aconteça de forma espontânea, é necessário que o ovário libere um óvulo. Quando a mulher ovula com pouca frequência, a chance de encontro entre óvulo e espermatozoide diminui.

Isso explica por que algumas mulheres com síndrome dos ovários policísticos demoram mais para engravidar. O problema, em muitos casos, não é a ausência definitiva de fertilidade, mas a dificuldade de prever ou manter ovulações regulares.

A diretriz internacional de 2023 considera o letrozol uma opção de primeira linha para indução da ovulação em mulheres com SOP e infertilidade anovulatória, quando não há outros fatores importantes envolvidos.

Ou seja, quando a dificuldade está relacionada à ovulação, existem tratamentos específicos que podem ajudar o ovário a funcionar melhor naquele ciclo.

SOP não é sentença de infertilidade

Esse é o ponto mais importante: síndrome dos ovários policísticos não é sinônimo de infertilidade. A SOP pode exigir acompanhamento, investigação e estratégia, mas não deve ser tratada como uma sentença.

Algumas mulheres com SOP ovulam eventualmente e engravidam sem tratamento. Outras precisam de indução da ovulação, que pode ser associada a acompanhamento ultrassonográfico e orientação sobre o melhor momento para tentar. Em alguns casos, quando há outros fatores associados, pode ser necessário considerar inseminação intrauterina ou fertilização in vitro.

O caminho depende da idade da mulher, do tempo de tentativa, da regularidade menstrual, dos exames hormonais, da reserva ovariana, das trompas, do espermograma do parceiro e da presença de outras condições, como endometriose, obesidade, resistência à insulina ou alterações metabólicas.

Ciclo irregular merece atenção

Um dos sinais mais comuns da SOP é o ciclo menstrual irregular. Algumas mulheres menstruam com intervalos longos, passam meses sem menstruar ou não conseguem identificar um padrão. Quando existe desejo de engravidar, essa irregularidade merece avaliação.

Aplicativos de ciclo podem ajudar a registrar informações, mas não são suficientes para confirmar ovulação. Em mulheres com ciclos irregulares, a previsão de janela fértil costuma ser menos confiável, justamente porque o corpo não segue um padrão claro todos os meses.

Por isso, quando a mulher com síndrome dos ovários policísticos deseja engravidar, o ideal é procurar orientação para entender se está ovulando, com que frequência isso acontece e qual estratégia pode ajudar.

Estilo de vida pode ajudar na SOP?

Em muitas pacientes, especialmente quando há resistência à insulina, sobrepeso ou alterações metabólicas, mudanças no estilo de vida podem contribuir para melhorar parâmetros hormonais, metabólicos e ovulatórios. Isso pode incluir alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado e acompanhamento médico.

A diretriz internacional de SOP de 2023 reforça a importância de uma abordagem ampla, considerando não apenas fertilidade, mas também saúde metabólica, risco cardiovascular, saúde mental e qualidade de vida.

Isso não significa que a mulher deva ser culpabilizada pelo diagnóstico ou pela dificuldade de engravidar. SOP é uma condição médica, não falta de esforço. O estilo de vida pode ser uma ferramenta de cuidado, mas não deve ser usado como cobrança.

Quando procurar um especialista em reprodução humana?

Mulheres com síndrome dos ovários policísticos que desejam engravidar podem procurar orientação antes mesmo de completar um ano de tentativas, especialmente se os ciclos forem muito irregulares. A investigação mais precoce ajuda a evitar perda de tempo e permite identificar se a dificuldade está apenas na ovulação ou se existem outros fatores envolvidos.

A American Society for Reproductive Medicine orienta que a avaliação de infertilidade seja iniciada após 12 meses de tentativas em mulheres com menos de 35 anos e após 6 meses em mulheres com 35 anos ou mais. Também recomenda avaliação imediata quando há histórico médico associado à infertilidade, como ciclos menstruais irregulares.

Essa orientação é especialmente importante para pacientes com SOP, porque esperar indefinidamente pode aumentar a ansiedade e atrasar um tratamento simples em alguns casos.

Quais tratamentos podem ser indicados?

O tratamento depende do motivo da dificuldade. Quando o principal problema é a ausência ou irregularidade da ovulação, a indução da ovulação pode ser indicada. O acompanhamento médico permite avaliar a resposta dos ovários, o crescimento dos folículos e o momento mais adequado para tentar engravidar.

Quando existem outros fatores, como alterações nas trompas, endometriose, idade avançada, baixa reserva ovariana ou fator masculino, a estratégia pode mudar. Nesses casos, a fertilização in vitro pode ser considerada.

O importante é não reduzir a SOP a uma única possibilidade. O tratamento precisa olhar para a mulher como um todo, e não apenas para o ultrassom ou para o diagnóstico escrito no laudo.

Informação diminui o medo

Receber o diagnóstico de síndrome dos ovários policísticos pode gerar insegurança, principalmente quando existe o desejo de engravidar. Mas a informação correta ajuda a mudar essa relação com o diagnóstico. SOP exige atenção, mas não anula o sonho da maternidade.

Na Pró Nascer, a avaliação da fertilidade em mulheres com SOP é feita de forma individualizada, considerando ciclo menstrual, ovulação, idade, exames hormonais, saúde metabólica e fatores do casal. O objetivo é entender o que está acontecendo e escolher o caminho mais adequado, sem alarmismo e sem falsas promessas.

Se você tem síndrome dos ovários policísticos e deseja engravidar, agende uma consulta na Pró Nascer. Entender o seu ciclo e suas possibilidades pode ser o primeiro passo para transformar dúvida em plano.

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