Existe um número ideal de óvulos para congelar?
Essa é uma das perguntas mais frequentes quando o assunto é preservação da fertilidade. Muitas mulheres chegam ao consultório querendo saber qual é o número “certo” de óvulos para congelar, como se existisse uma quantidade exata capaz de garantir uma gravidez no futuro. Mas a resposta precisa ser mais cuidadosa.
Não existe um número universal que sirva para todas as mulheres. A quantidade de óvulos necessária depende principalmente da idade no momento do congelamento, da reserva ovariana, da resposta aos medicamentos de estimulação, da qualidade esperada dos óvulos e do objetivo reprodutivo de cada paciente.
A American Society for Reproductive Medicine destaca que ainda não há evidência suficiente para definir, de forma absoluta, quantos óvulos mulheres de diferentes idades precisam congelar para alcançar um nascimento vivo no futuro. Ao mesmo tempo, a entidade reforça que os resultados tendem a ser melhores quando o congelamento é realizado em idades mais jovens, já que a idade influencia diretamente a qualidade dos óvulos.
Por que a idade pesa tanto?
Quando falamos em fertilidade feminina, a idade é um dos fatores mais importantes. Isso acontece porque a mulher já nasce com uma quantidade limitada de óvulos, e esse número diminui progressivamente ao longo da vida. Além da quantidade, a qualidade dos óvulos também sofre impacto com o passar dos anos.
A reserva ovariana representa a quantidade de óvulos ainda disponível nos ovários, mas ela não é a mesma coisa que qualidade ovocitária. A ASRM explica que a reserva ovariana está relacionada ao número de oócitos restantes, enquanto a qualidade diz respeito ao potencial de aquele óvulo gerar uma gestação evolutiva e um bebê nascido vivo.
Por isso, duas mulheres podem ter a mesma quantidade de óvulos congelados, mas chances diferentes no futuro, dependendo da idade em que esses óvulos foram coletados. Em geral, quanto mais jovem a mulher no momento do congelamento, maior tende a ser a proporção de óvulos com potencial reprodutivo.
Então por que se fala em 10, 15, 20 ou mais óvulos?
Esses números aparecem porque os especialistas trabalham com estimativas baseadas em estudos, idade e experiência clínica. O objetivo do congelamento não é guardar apenas um óvulo, porque nem todo óvulo congelado irá sobreviver ao descongelamento, nem todo óvulo descongelado será fertilizado, nem todo embrião formado terá desenvolvimento adequado e nem toda transferência resultará em gravidez.
Ou seja, existe uma espécie de “funil” natural dentro do processo. Por isso, quanto maior a idade da mulher, maior pode ser a quantidade de óvulos recomendada para aumentar as possibilidades futuras.
A própria ASRM, em parecer ético sobre congelamento planejado de óvulos, menciona que, aos 38 anos, aproximadamente 25 a 30 óvulos criopreservados podem ser necessários para oferecer uma chance considerada razoável de ter um filho, com base em modelos de probabilidade disponíveis. Esse dado não deve ser interpretado como promessa, mas como um exemplo claro de como a idade muda a conversa.
A reserva ovariana define quantos óvulos serão coletados?
A reserva ovariana ajuda a estimar a provável resposta ao tratamento. Exames como o hormônio antimülleriano, conhecido como AMH, e a contagem de folículos antrais por ultrassom podem indicar se a paciente tende a produzir mais ou menos óvulos durante a estimulação ovariana.
Porém, esses exames não conseguem prever sozinhos se haverá gravidez no futuro. A ASRM reforça que marcadores de reserva ovariana são bons para estimar a quantidade de óvulos que pode ser obtida em um ciclo de estimulação, mas são preditores limitados de potencial reprodutivo quando avaliados isoladamente.
Na prática, isso significa que o AMH ajuda a planejar o tratamento, mas não deve ser usado para assustar a paciente, definir o futuro dela ou negar possibilidades. Ele é uma peça do quebra-cabeça, não a história inteira.
Pode ser necessário fazer mais de um ciclo?
Sim. Algumas mulheres conseguem congelar uma boa quantidade de óvulos em um único ciclo. Outras precisam de mais de uma estimulação para alcançar uma quantidade mais confortável para o seu planejamento.
Isso é especialmente comum em mulheres com baixa reserva ovariana, idade mais avançada, resposta reduzida aos medicamentos ou quando o objetivo é aumentar a chance de ter mais de um filho no futuro.
A decisão de fazer um ou mais ciclos precisa ser individualizada, considerando exames, idade, orçamento, tempo disponível, saúde geral e expectativa da paciente. O congelamento de óvulos é uma estratégia de preservação, não uma garantia. Por isso, quanto mais bem orientada a mulher estiver, mais consciente será a decisão.
Congelar óvulos é uma forma de comprar tempo?
O congelamento de óvulos não congela a fertilidade como um todo, mas preserva óvulos com a idade que a mulher tinha no momento da coleta. Isso pode ser muito importante para mulheres que ainda não desejam engravidar, que estão sem parceria, que vão passar por tratamentos que podem prejudicar a fertilidade ou que querem ampliar suas possibilidades futuras.
Ainda assim, é essencial falar com responsabilidade. Congelar óvulos não garante gravidez, não elimina o impacto da idade sobre o corpo e não substitui uma avaliação médica. Mas pode ser uma ferramenta valiosa para quem deseja planejar a maternidade com mais consciência.
Na Pró Nascer, cada caso é avaliado de forma individual, considerando idade, reserva ovariana, histórico de saúde e projeto de vida. A quantidade ideal de óvulos não deve ser definida por uma tabela solta, mas por uma conversa médica clara, realista e acolhedora.
Se você pensa em preservar sua fertilidade, agende uma consulta na Pró Nascer e entenda qual estratégia faz sentido para a sua história.