Casais homoafetivos podem fazer tratamento para ter filhos?
Sim. A reprodução assistida permite que diferentes formações familiares realizem o sonho de ter filhos com acompanhamento médico, planejamento e segurança. Casais homoafetivos podem recorrer a tratamentos como inseminação intrauterina, fertilização in vitro, uso de sêmen de doador, óvulos doados e útero de substituição, dependendo da composição do casal e das normas vigentes.
A American Society for Reproductive Medicine defende que clínicas de reprodução assistida devem tratar igualmente os pedidos de pessoas e casais, independentemente de estado civil, orientação sexual ou identidade de gênero. A entidade também destaca que o interesse em formar e criar filhos existe em diferentes configurações familiares.
Na prática, o cuidado precisa ser técnico, mas também acolhedor. O tratamento não começa apenas com exames. Ele começa com escuta, orientação e construção de um plano possível para aquela família.
Como funciona para casais homoafetivos femininos?
Para casais formados por duas mulheres, os caminhos mais comuns envolvem o uso de sêmen de doador. A escolha entre inseminação intrauterina e fertilização in vitro depende de fatores como idade, reserva ovariana, permeabilidade das trompas, histórico ginecológico e desejo do casal.
Na inseminação intrauterina, o sêmen de doador é preparado em laboratório e introduzido no útero no período mais próximo da ovulação. Esse método costuma ser indicado quando a mulher que irá gestar tem boa função ovulatória, trompas pérvias e ausência de fatores importantes de infertilidade.
Na fertilização in vitro, os óvulos são coletados após estimulação ovariana e fertilizados em laboratório com sêmen de doador. Depois, o embrião formado é transferido para o útero. Esse caminho pode ser indicado quando há idade materna mais avançada, baixa reserva ovariana, alterações tubárias, endometriose, falhas anteriores ou quando o casal deseja uma estratégia com maior controle laboratorial.
O que é gestação compartilhada?
A gestação compartilhada, também chamada de FIV compartilhada ou ROPA em alguns contextos internacionais, é uma possibilidade para casais homoafetivos femininos. Nesse processo, uma das mulheres fornece os óvulos, que serão fertilizados em laboratório com sêmen de doador, e a outra recebe o embrião no útero para gestar.
Esse caminho permite que ambas participem biologicamente do processo de formas diferentes: uma com o material genético e a outra com a gestação. Porém, a indicação precisa considerar idade, reserva ovariana, saúde uterina, condições clínicas e desejo do casal.
Nem sempre a gestação compartilhada será o melhor caminho do ponto de vista médico, mas quando é possível, pode ter um significado muito especial para a família.
Como funciona para casais homoafetivos masculinos?
Para casais formados por dois homens, o tratamento geralmente envolve o uso de óvulos doados, fertilização in vitro e útero de substituição, também conhecido popularmente como barriga solidária, conforme as regras éticas e legais aplicáveis no país.
Nesse processo, os óvulos doados são fertilizados em laboratório com os espermatozoides de um dos parceiros ou, em algumas situações, com amostras de ambos, de acordo com avaliação médica e planejamento do casal. Depois, o embrião é transferido para o útero da mulher que irá gestar.
A ASRM recomenda, em ciclos com gestante de substituição, que a transferência de embrião único seja fortemente considerada, já que gestações múltiplas aumentam riscos para quem gesta e para os bebês.
É necessário fazer exames antes?
Sim. Mesmo quando não há diagnóstico de infertilidade, a avaliação é essencial. Ela pode incluir exames hormonais, ultrassonografia, avaliação uterina, sorologias, análise seminal, investigação genética quando indicada e orientações sobre doação de gametas.
A ASRM aponta que exames de avaliação da fertilidade podem ser indicados em pessoas que farão tratamentos com sêmen de doador, mesmo que não tenham histórico prévio de infertilidade.
Essa etapa evita decisões baseadas apenas no desejo do casal e permite construir um plano mais seguro, respeitando tanto a parte médica quanto a emocional.
O tratamento é igual para todos os casais?
Não. Cada família precisa de um plano próprio. Um casal pode ter indicação de inseminação. Outro pode precisar de FIV. Em alguns casos, a prioridade será avaliar reserva ovariana. Em outros, será definir quem deseja gestar, quem deseja fornecer os óvulos ou como será feita a escolha do doador.
Também é importante conversar sobre aspectos emocionais, jurídicos e familiares, porque a reprodução assistida envolve decisões importantes. O papel da clínica é orientar com clareza, sem julgamento e sem transformar um sonho tão íntimo em um processo frio ou impessoal.
Construir uma família também é cuidado médico
A reprodução assistida abriu caminhos reais para muitas famílias homoafetivas, mas cada história merece ser conduzida com responsabilidade. O tratamento ideal não é apenas aquele que torna a gestação possível, mas aquele que respeita a saúde, a segurança, o desejo e a configuração de cada família.
Na Pró Nascer, o atendimento é feito com escuta, planejamento e individualização. Cada casal é recebido a partir da sua história, para que o caminho até a parentalidade seja construído com clareza e acolhimento.
Se vocês sonham em ter filhos e querem entender quais possibilidades existem para a sua família, agendem uma consulta na Pró Nascer.